Resumo DOUTRINA — 2026-09-28 Atualizações da tarde. - Feminicídio: Análise do Patriarcado, Uso Abusivo de Álcool e Violência

Atualizado na tarde de 28/09/2026 às 14:00.

Feminicídio: Análise do Patriarcado, Uso Abusivo de Álcool e Violência

DOUTRINA

O feminicídio, caracterizado como a morte de mulheres em razão de sua condição de gênero, é um dos fenômenos mais alarmantes da violência de gênero, refletindo as desigualdades estruturais enraizadas na sociedade. O presente artigo visa analisar a interseção entre a estrutura patriarcal, o uso abusivo de álcool e o contexto familiar, visando compreender como esses fatores contribuem para a escalada da violência doméstica e, consequentemente, para o feminicídio.

Desenvolvimento Teórico

A doutrina jurídica contemporânea reconhece o feminicídio como uma questão complexa, que envolve não apenas a análise dos atos violentos, mas também a compreensão das relações sociais que os sustentam. Segundo a teoria feminista, o patriarcado se manifesta como uma estrutura social que perpetua a opressão das mulheres, criando um ambiente propício à violência. Essa perspectiva é corroborada por diversos autores, como Judith Butler e Simone de Beauvoir, que discutem a construção social das identidades de gênero e a naturalização das desigualdades.

Além disso, o uso abusivo de álcool é frequentemente associado a comportamentos agressivos. Pesquisas indicam que o consumo excessivo de álcool pode agravar a agressividade em indivíduos já predispostos à violência, embora não sirva como uma justificativa isolada para os atos violentos. A proximidade familiar entre vítima e agressor, por sua vez, complica a dinâmica da denúncia e do enfrentamento da violência, uma vez que os laços emocionais e de dependência podem criar um ciclo de silêncio e impunidade.

Aplicação Jurisprudencial

A jurisprudência brasileira tem avançado no reconhecimento do feminicídio como um crime hediondo, com penas severas que refletem a gravidade da ofensa. O Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça têm se debruçado sobre casos em que a motivação de gênero é evidente, estabelecendo precedentes que consideram as circunstâncias de vulnerabilidade da mulher e a relação de intimidade com o agressor. A aplicação das leis deve ser acompanhada de políticas públicas que visem não apenas à punição, mas também à prevenção e ao acolhimento das vítimas.

Conclusão Técnica

O enfrentamento do feminicídio no Brasil requer uma abordagem multifacetada que articule a responsabilização dos agressores, a proteção das vítimas e a transformação das estruturas sociais que perpetuam a desigualdade de gênero. A análise do patriarcado e do uso abusivo de álcool revela a necessidade de políticas públicas integradas, que promovam a educação e a conscientização sobre a violência de gênero. Somente assim será possível romper o ciclo da violência e garantir a segurança e a dignidade das mulheres.

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