Resumo DOUTRINA — 2026-09-13 Atualização da madrugada. - O Dilema dos Direitos Autorais na Era da Inteligência Artificial: Big Techs e a Destruição de Livros

Atualizado na madrugada de 13/09/2026 às 04:02.

O Dilema dos Direitos Autorais na Era da Inteligência Artificial: Big Techs e a Destruição de Livros

DOUTRINA

O avanço tecnológico e a ascensão das big techs têm gerado um intenso debate jurídico sobre a proteção dos direitos autorais, especialmente no que tange à utilização de obras literárias para o treinamento de modelos de inteligência artificial (IA). O presente artigo busca analisar a prática da destruição de livros raros, conforme noticiado, à luz da legislação vigente e da doutrina pertinente.

Desenvolvimento Teórico

Conforme o relato sobre a Amazon, a prática de adquirir acervos de livros raros, digitalizá-los e descartá-los fisicamente tem como objetivo suprir a escassez de dados disponíveis na internet. Essa estratégia, embora amparada pela tese do fair use nos Estados Unidos, suscita questões éticas e jurídicas complexas. O conceito de fair use permite a utilização de obras protegidas sem autorização do autor, desde que respeitados certos critérios, como a finalidade da utilização e o impacto sobre o mercado da obra original.

As correntes doutrinárias divergem quanto à aplicação desse conceito. A primeira corrente defende que a digitalização e destruição de livros para fins de treinamento de IA configura uma utilização justa, uma vez que visa à inovação e ao progresso tecnológico. Por outro lado, a segunda corrente argumenta que tal prática desrespeita os direitos morais e patrimoniais dos autores, especialmente no que se refere à preservação de obras raras e de valor cultural.

Aplicação Jurisprudencial

A jurisprudência norte-americana tem se posicionado de forma a validar práticas que envolvem o fair use, mas com ressalvas. Em casos anteriores, como Campbell v. Acuff-Rose Music, Inc., a Corte Suprema estabeleceu que a análise do fair use deve considerar o propósito e o caráter do uso, a natureza da obra utilizada, a quantidade utilizada em relação à obra total e o efeito do uso sobre o mercado potencial da obra original. Assim, a aplicação prática da destruição de livros para treinamento de IA pode ser contestada caso se demonstre que tal prática prejudica o mercado das obras originais.

Conclusão Técnica

Em suma, a prática adotada por grandes empresas de tecnologia ao destruir livros para treinar suas IAs levanta importantes questões jurídicas sobre a proteção dos direitos autorais. Embora a legislação vigente, especialmente a norte-americana, possa oferecer amparo sob a ótica do fair use, a discussão ética sobre a preservação do patrimônio cultural e o respeito aos direitos dos autores é premente. Assim, é fundamental que o debate continue, buscando um equilíbrio entre inovação tecnológica e a proteção dos direitos autorais, de modo a garantir que o avanço não ocorra à custa da cultura e do conhecimento.

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